Case de retrofit em emblistadeira farmacêutica com CLP e came eletrônico descontinuados
CLP B&R e chave de cames eletrônica sem reposição nem suporte no país, e sem programa-fonte. O controle foi refeito em plataforma aberta, sem tocar na mecânica.
Para quem mantém uma máquina farmacêutica mecanicamente boa presa a um CLP sem suporte no país, a um came eletrônico que não se fabrica mais ou a um programa sem fonte.
A Orkan tem mais de 35 anos de automação industrial e mais de 400 projetos entregues. Mais de 30 deles foram em plantas do setor farmacêutico.
Uma multinacional farmacêutica de sólidos orais. A máquina é uma emblistadeira UPS 300, que termoforma o filme de PVC e sela com alumínio as cartelas de comprimidos e cápsulas. Entregue em 2009.
O ciclo era comandado por um CLP B&R e por uma chave de cames eletrônica proprietária, que fazia a sincronização angular da máquina. A mecânica e a pneumática estavam íntegras.
CLP e chave de cames estavam descontinuados, sem reposição equivalente e sem suporte técnico ativo no Brasil. O programa-fonte do CLP não estava disponível, e os esquemas elétricos existiam só em papel, sem garantia de que correspondiam à máquina real. O conhecimento da máquina estava concentrado em poucas pessoas.
Qualquer falha num desses itens deixava a máquina sem caminho técnico de volta: a saída seria um fornecedor internacional, com prazo incompatível com a produção farmacêutica. E, sem o fonte, nenhuma mudança de receita ou de comportamento da máquina era possível.
A mecânica ficou. O controle foi para plataforma aberta: CLP Siemens S7-300, programado em STEP 7, e IHM Pro-face. A chave de cames saiu, e o came foi recriado em software no próprio CLP.
Sem o fonte original, o software foi reescrito por engenharia reversa, a partir da observação da máquina em funcionamento e do levantamento em campo com a manutenção do cliente, e testado em bancada antes da implantação.
A máquina passou a ter reposição nacional no controle, came ajustável pela IHM e diagnóstico com alarmes nomeados. Software, esquemas atualizados e descritivo de funcionamento foram entregues editáveis, sem bloqueio. O padrão consolidado nesta máquina foi replicado depois em outros retrofits do mesmo parque.
O hardware mais crítico da máquina, a chave de cames, deixou de existir: virou software no CLP, sem limite físico de canais e com diagnóstico no mesmo programa de controle.
O relatório técnico que a equipe de engenharia usa para decidir se o mesmo caminho serve para a sua planta.